Escolas apresentam experiências educativas com jovens em seminário na UFMG


Participantes compartilharam experiências acerca das especificidades do trabalho educativo desenvolvido nas escolas e em projetos sociais

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Representantes de escolas estaduais de Lima Duarte, Araguari e Ipatinga participam de seminário na Faculdade de Educação da UFMG. Foto: William Campos Viegas

“Os jovens têm mostrado que não querem viver em um sistema opressor. Eles se reúnem, ocupam o espaço escolar e lutam contra os retrocessos que estamos vivendo. Essa mobilização entusiasma o professor, pois demonstra que a escola tem conseguido formar uma juventude questionadora”. A observação foi feita por Welliton José Cunha, vice-diretor da Escola Estadual Adalgisa de Paula Duque, do município de Lima Duarte, durante o Seminário ‘Por uma pedagogia das juventudes: reflexões sobre metodologias de trabalho com jovens’, realizado pelo Observatório da Juventude, nos dias 6 e 7 de abril, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG). No encontro, os participantes refletiram e compartilharam experiências acerca das especificidades do trabalho educativo desenvolvido nas escolas e em projetos sociais.

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Estudante Ana Lídia Rezende e Welliton José Cunha, vice-diretor da Escola Estadual Adalgisa de Paula Duque, do município de Lima Duarte. Foto: William Campos Viegas

O vice-diretor, acompanhado pela estudante Ana Lídia Rezende, representou a escola na mesa ‘Experiências Educativas com Jovens no Ensino Médio’, coordenada pelo professor Geraldo Leão, da Faculdade de Educação. “Trabalhamos diversas ações que motivem e valorizem o protagonismo juvenil”, comenta Welliton. A mesa foi composta ainda por alunos e professores das Escolas Estaduais João XXIII, de Ipatinga, e Madre Maria Blandina, localizada na cidade de Araguari.

Em sua fala, a estudante Ana Lídia Rezende lembrou o projeto Virada Educação, iniciativa da Secretaria de Estado de Educação (SEE) de Minas Gerais. “Foi a primeira vez que eu me vi como um sujeito de direitos. Foi o início da ideia de pertencimento, do protagonismo juvenil na escola, que está aberta para todas as vozes”, afirma. Além do projeto APADU, que permite aos alunos desenvolverem ações radiofônicas, impressas e digitais sobre a escola e a comunidade, Lídia falou sobre o papel do grêmio estudantil. “Temos utilizado o grêmio para dialogar com toda a escola, com os pais, a comunidade, por meio das reuniões, do Conselho de representantes de turmas. É transformar a escola, a consciência crítica dos alunos e reforçar o protagonismo jovem”, diz.

Uanderson de Menezes, professor de Filosofia na Escola Estadual João XXIII, reforçou que é fundamental os educadores aguçarem a participação dos estudantes. “Uma aula em que o aluno não consegue ter voz é maçante e desestimuladora. Só entenderemos a nossa juventude, quando pararmos para ouvi-la e a sala é o melhor lugar”, pontua. Na escola, o professor é responsável pelo projeto TV Filosofia, no qual os alunos escolhem um tema ligado à disciplina e elaboram um mini-programa. “O resultado é a melhora do processo de aprendizagem, pesquisa, aumento do interesse pela matéria, desenvolvimento da criatividade, da expressão e descoberta de vocações”, comenta.

Interligando os grandes pensadores, os temas filosóficos e os assuntos da atualidade, os alunos desenvolveram um programa sobre o feminismo e a violência contra a mulher no Brasil. “Um trabalho escolar tem que ir além da pontuação, precisa ser transformador. E esse programa da TV Filosofia sobre o feminismo, que questionou o machismo e todas as suas consequências, levou todos a refletirem sobre o que as mulheres enfrentam e que elas precisam ser respeitadas”, conta a estudante Milena Fernandes Batista.

Representando a Escola Estadual Madre Maria Blandina, de Araguari, o professor de História Marco Túlio Santos apresentou o projeto Empodera, direcionado à juventude negra. “No Brasil, ser negro e ser um jovem negro é muito difícil, pois as nossas relações foram estruturadas pela desigualdade. É um país racista, homofóbico e que corteja toda solução que vem do autoritarismo”, afirma.

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Professor de História Marco Túlio Santos, da Escola Estadual Madre Maria Blandina, de Araguari. Foto: William Campos Viegas

Segundo Marco Túlio, que é um ex-aluno da escola, o empoderamento começou pela estética. “Modelos afros desfilaram, durante o horário do intervalo, para despertar a atenção dos nossos estudantes. E com o tempo, muitos jovens negros, que eram invisíveis, puderam se mostrar. O empoderamento começa, então, com o aceitamento e a construção de uma identidade”, explica.

O estudante Rogério Claro Fraga relata a transformação pessoal proporcionada pelo Empodera. “Eu não me envolvia muito, eu sempre estava excluído das atividades, e o projeto foi uma libertação. Antes, eu não ia para a escola com um propósito, apenas ia, agora estou mais motivado e buscando, cada vez mais, o meu espaço”, diz.

Durante os dois dias de Seminário, além das palestras e debates, também foram realizadas nove oficinas para jovens, relacionadas a temas como projeto de vida, relações de gênero e sexualidade, diversidade étnico-racial, entre outros.

O evento foi encerrado com o lançamento do livro ‘Por uma pedagogia das juventudes: experiências educativas do Observatório da Juventude da UFMG’, organizado pelo professor Juarez Dayrell, da FaE/UFMG.

Fonte: http://www.educação.mg.gov.br

Assista ao seminário: https://www.youtube.com/watch?v=g_jACQ8iuuI

Veja também: http://observatoriodajuventude.ufmg.br/