Estudantes do Ensino Fundamental abrem programação da UFMG Jovem


No total, estão sendo apresentados 18 trabalhos de estudantes do Ensino Fundamental. Os vencedores nesta categoria serão conhecidos hoje, 20 de julho

O entusiasmo está estampado no rosto e presente na fala dos estudantes do Ensino Fundamental de escolas estaduais, municipais, federais, técnicas e privadas, que abriram nesta terça-feira, 18 de julho, a programação da 18ª edição da UFMG Jovem. “A feira é muito grande e a gente descobre muitas coisas legais. Sair de uma cidadezinha, compartilhar a nossa pesquisa com outras pessoas e ouvir as sugestões e opiniões delas é bastante gratificante”, conta Cleidson Emanoel Mendes, aluno do 7º ano do Fundamental, da Escola Estadual Alcides Mendes da Silva, localizada em Porteirinha, norte de Minas Gerais. Aberta ao público, a mostra de trabalhos do Ensino Fundamental continua na tenda roxa da SBPC Jovem, no Campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais.

Ao lado dos amigos Bernardo Medeiros e Luís Gustavo da Cruz, e da diretora, Maria Suverlei Santos, Cleidson apresenta o trabalho “Farinha nutricional inovadora”. “Pesquisamos o valor nutricional do jatobá, do amaranto e do baru, típicos da nossa região, para produzirmos uma farinha rica nutricionalmente e que não alterasse o gosto dos alimentos”, conta o estudante.

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Estudantes da Escola Estadual Alcides Mendes da Silva apresentam projeto na 18ª UFMG Jovem. Foto: Maria Suverlei Santos.

Introduzido na merenda da escola, o produto pode ser consumido de diversas maneiras. “Indicamos que as pessoas a consumam, preferencialmente, com iogurte, mas pode ser utilizada com feijão, arroz, entre outros”, explica Bernardo Medeiros, pontuando os benefícios da farinha. “Cada fruto, individualmente, possui valor nutricional. O jatobá, por exemplo, tem muito ferro e previne a anemia. Já o amaranto ajuda no sistema cardíaco, imunológico, visão e ossos”, diz.

Segundo a orientadora e professora de Ciências, Jucineia Fernandes Souza, a pesquisa está alinhada com outra iniciativa da instituição. “Implantamos o projeto Multiplicadores da Sustentabilidade, que visa expandir, por meio de práticas diárias, o conhecimento da temática. Nessa proposta, estudamos sobre o cerrado, que vem sofrendo uma devastação, e articulamos com a pesquisa da farinha nutricional, que é feita a partir de plantas nativas desse bioma”, explica.

Na expectativa para premiação de seus alunos, a professora reforça a importância da UFMG Jovem. “É fundamental para eles absorverem conhecimento e para os educadores melhorarem sua prática pedagógica. A feira também amplia os horizontes e permite ao discente ser protagonista dentro do meio científico”, afirma.

 

Da cidade de Mateus Leme, os alunos do 9º ano, da Escola Estadual Domingos Justino Ribeiro, trouxeram a pesquisa “Caracterização fitoquímica dos tubérculos da planta inhame (Discorea SP.)”, que investiga o poder repelente do vegetal. “Na minha casa, havia muitas formigas, mas observei que elas, além de desviarem do pé do inhame, não cortavam suas folhas. Então, surgiu a hipótese de que ele poderia repelir insetos”, comenta o estudante Alex Rodrigues de Araújo. Em 2016, o projeto conquistou o 2º lugar geral na Feira de Ciências, Tecnologia, Educação e Cultura (FECITEC)realizada no Campus Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Após muitos estudos e testes, os alunos descobriram que as vitaminas do complexo B presentes no vegetal são as responsáveis por afastar os insetos. “Além dessa ação, os estudos também mostraram que o inhame era um bom hidratante para pele. Então, desenvolveram dois tipos de creme, sendo um feito a partir da polpa e outro da casca, que funcionavam ao mesmo tempo como repelente e hidratante corporal”, explica a orientadora, Fabíola Cristina Fonseca.

A professora de Ciências e Biologia também destaca a contribuição da feira científica para a aprendizagem dos educandos. “Melhora a autoestima, pois percebem que são capazes de levar conhecimento às pessoas; a capacidade de escrita que, cada vez mais, tem sido exigida nessas feiras, ou seja, uma excelência na escrita técnica, científica e formal; e, também, eles vão desenvolvendo uma maneira peculiar de apresentar trabalhos”.

Conquistando as melhores posições em diversas categorias na edição passada da UFMG Jovem, a Escola Estadual João Rodrigues da Silva, localizada no município de Prudente de Morais, apresenta 5 projetos desenvolvidos por estudantes do Ensino Fundamental. “Está sendo muito interessante poder mostrar nossa pesquisa, conhecer os trabalhos das outras escolas e, também, participar das atividades realizadas durante o evento”, comenta Júlia Lorraine Fernandes, aluna do 7º ano, que apresenta o trabalho “Proposta de sistema de alerta postural”.

 

Outro trabalho da Escola Estadual João Rodrigues da Silva presente na feira científica é “A Química da Paixão”, que explica, cientificamente, as reações que ocorrem no corpo humano quando o indivíduo está amando. “A iniciativa surge da curiosidade dos alunos e é fruto de várias reuniões periódicas, muita pesquisa e discussão sobre o tema”, conta o professor de Química, Pedro de Sousa Rosa, acrescentando que o trabalho – já divulgado na MOPEC e idealizado por estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental – estimula o raciocínio lógico, o pensar e a formação cidadã nos jovens. “Estamos explicando como os hormônios são produzidos, como surge o amor verdadeiro e, também, falamos sobre dez artifícios que podem melhorar os relacionamentos no dia a dia”, explica o estudante Clauderson Souza Oliveira.

Nesta quinta-feira, 20, a Diretoria de Divulgação Científica (DDC) anuncia as escolas vencedoras na categoria Ensino Fundamental. Nos dias 21 e 22, os estudantes do Ensino Médio apresentarão seus trabalhos na 18ª UFMG Jovem, e o resultado final será divulgado no domingo, 22 de julho.

Com o tema Transformações e Maioridade’, a 18ª UFMG Jovem é organizada pela Diretoria de Divulgação Científica (DDC), vinculada à Pró-reitoria de Extensão da UFMG. Integrando a SBPC Jovem, a feira, que é aberta ao público, ocorre simultaneamente à 69ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), maior evento científico da América Latina. A SBPC acontece até 22 de julho, no Campus Pampulha da UFMG, e a programação completa pode ser conferida no https://www.ufmg.br/sbpcnaufmg/.

 Por William Campos Viegas (ACS/SEEMG)

Fonte: http://www.educacao.mg.gov.br (editado)