Escolas estaduais de Minas Gerais recebem orientações para realizar eleições de representantes de turmas


Principal recomendação é para que conselhos de estudantes criem planos de ação com temas ligados às suas realidades

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) enviou, na última quarta-feira (21), às Superintendências Regionais de Ensino, um ofício com as orientações para que as escolas estaduais realizem, a partir do dia 1º de março, o processo de eleições de representantes de turma do ano letivo de 2018.

A iniciativa é mais uma forma de a Secretaria, por meio da Diretoria de Juventude, continuar a implementar as políticas de fomento à participação estudantil na escola. Como explica o analista educacional da Diretoria de Juventude, Tiago Vieira, a SEE enxerga no protagonismo juvenil a oportunidade de formação de cidadãos. “Quando o estudante tem a oportunidade de participar na escola de maneira mais ativa, acreditamos que ele tem grandes chances de se tornar uma pessoa mais participativa na sociedade também. Isso é importante tanto nos aspectos de formação humana quanto pedagógicos, pois se o aluno se sente participante na escola, ele sente que pertence àquele espaço e se preocupa mais com ele e com os que estão ali, buscando sempre melhorar os processos e propor soluções para possíveis problemas”, afirmou Tiago.

A diretora de Juventude da SEE, Priscylla Ramalho, explica que, em 2017, a Secretaria percebeu um avanço interessante quanto aos processos de eleição de representante de turma, especialmente no Ensino Médio, mas também observou que em muitas situações a participação se ateve na escolha dos estudantes. Por isso, em 2018, a principal orientação é para que os Conselhos de Representantes de Turma elaborem um plano de ação na escola que envolva todos os estudantes.

“Junto com o documento, foi enviada uma sugestão de metodologia para o desenvolvimento desse plano de ação. Então, no primeiro momento, os representantes vão reunir seus colegas para discutir sobre os problemas da escola, da comunidade, levantar coletivamente qual poderia ser o tema ou problema que será foco da ação. Em seguida, acontece o planejamento, para mapear recursos, parceiros, possibilidades de execução para, depois, colocar o plano em prática. Ao final do processo, eles vão compartilhar seus resultados com a comunidade escolar. Ou seja, é uma metodologia para dar apoio aos estudantes para que eles consigam efetivar essa ação”, explicou Priscylla.

Tiago reforça que os temas das ações podem ser diversos, desde que tenham a ver com o contexto dos estudantes e com a realidade em que estão inseridos. “Sugerimos temáticas como afetividade, amor, artes visuais, campo e cidadania, feminismo, direitos juvenis, entre outros. Mas o que importa, na verdade, é levantar algo que seja pertinente aos estudantes de cada escola, que os envolva, que faça sentido para eles e para a comunidade. O protagonismo passa por essa escolha, por esse debate do que deve ser discutido”, afirmou.

Representantes de Turma reunidos na Escola Estadual Francisco Firmino de Matos, em Contagem, em 2017: espaços para discussão têm que ser sempre abertos entre professores e estudantes. Foto: Tiago Vieira (SEE/MG)

Representantes de Turma reunidos na Escola Estadual Francisco Firmino de Matos, em Contagem, em 2017: espaços para discussão têm que ser sempre abertos entre professores e estudantes. Foto: Tiago Vieira (SEE/MG)

Para que os conselhos de representantes e todos os estudantes envolvidos tenham sucesso no planejamento da ação, a dica da diretora de Juventude é uma só: escolher ações simples, que sejam possíveis de ser realizadas. “Às vezes, as primeiras propostas pensadas são aquelas mais elaboradas e complexas, e a gente sugere justamente o contrário. Tem que pensar primeiro nas ações mais pontuais, que não vão exigir grandes esforços e recursos para que elas de fato aconteçam. Muitas vezes, ações mais simples, como a produção de painéis nos murais da escola para promover a sensibilização a respeito de um tema pode ter um alcance muito satisfatório. É bom pensar nas possibilidades mais simples também para não haver frustração”, recomendou Priscylla. Entre outros tipos de ação sugeridos por ela, estão uso do equipamento de som da escola na hora do recreio, rádio escola, rodas de conversa e grupos de discussão.

Para os professores e diretores, também há orientações quanto ao plano de ações: “É preciso que a equipe pedagógica tenha boa relação com os representantes e propicie o espaço de discussão e ajude a iniciá-las, visto que muitos alunos ainda não estão acostumados a serem participativos. E, claro, sempre orientá-los quanto ao processo de protagonismo juvenil, já que a participação está inserida no contexto educacional e tem caráter pedagógico. Se a gente quer apostar que vai dar certo, é muito importante que a direção da escola e os professores deem apoio necessário a isso, porque muitas vezes os alunos vão fazer escolhas erradas, porque eles estão justamente aprendendo a fazer escolhas”, afirmou Tiago.

Convivência Democrática

O processo de eleição de representante de turmas também é orientado pela Coordenação de Educação em Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria de Estado de Educação. Em parceria com a Diretoria de Juventude, o trabalho é realizado no sentido de incluir a participação estudantil dentro de um dos eixos do Programa de Convivência Democrática, criado pela SEE para promover, defender e garantir os direitos humanos e o reconhecimento e a valorização das diversidades no ambiente escolar.

De acordo com a coordenadora de Educação em Direitos Humanos e Cidadania, Kessiane Goulart, a participação dos estudantes na gestão escolar ou nos processos de decisão da escola é uma das vertentes da educação em direitos humanos. “Escutar os estudantes, dar a eles a responsabilidade de desenvolver projetos dentro da escola com temas ligados às suas realidades e de suas comunidades e, principalmente, dar voz a esses jovens, fortalece a convivência, favorece o respeito às diferenças e melhora sistematicamente o clima no ambiente escolar”, explicou Kessiane.

Prazos

O documento de orientação para a eleição dos representantes de turma estabelece prazos para que um cronograma seja cumprido. A escolha dos estudantes deve ser feita de 1º a 16 de março. Em seguida, as escolas têm até o dia 30 de março para enviar às SREs uma planilha com dados de todos os representantes eleitos. “As informações serão usadas para montar um banco de dados e facilitar a comunicação com os representantes”, explicou Priscylla Ramalho.

Depois de realizar a eleição de representantes, acontece outro processo de escolha, desta vez só entre o Conselho de Representantes de Turma: dois estudantes que vão representar a escola. Por isso, as SREs têm até o dia 6 de abril para enviar ao órgão central da SEE os contatos dos representantes eleitos em cada escola. Por sequência, as escolas têm até dia 31 de maio para enviar às SREs os Planos de Ação elaborados pelos Conselhos de Representantes. O órgão central receberá o compilado dos Planos de Ação até o dia 8 de junho.

A partir do desenvolvimento das ações, os conselhos de representantes têm até o dia 9 de novembro para enviar os registros do que foi realizado às SREs que, por sua vez, precisam repassar um compilado do que foi recebido ao órgão central até o dia 16 de novembro.

Ao final do processo, de acordo com Priscylla, a equipe da Diretoria de Juventude vai analisar tudo que foi feito, fazer um balanço das ações, produzir um relatório e dar o retorno para as escolas e para os conselhos de representantes de turma. “´É importante dar esse feedback, que obviamente não vai acontecer apenas no final do ano, já que tanto as escolas quanto os conselhos podem procurar orientação a qualquer momento. Mas depois de tudo realizado é fundamental que eles tenham elogios e críticas construtivas a respeito do que foi realizado”, finalizou Priscylla.

Rede Estadual

A expectativa da Diretoria de Juventude da SEE é de que, até o dia 12 de abril, seja realizada uma vídeo-conferência do órgão central com os analistas e coordenadores de Juventude das SER’s e com as duplas eleitas de cada escola para que todos sejam orientados quanto à escolha dos estudantes que vão representar cada regional. O objetivo é promover a eleição de 47 jovens e respectivos suplentes que respondam pelas escolas dos territórios onde estão inseridos para participar do III Encontro Estadual Educação e Juventude.

A selfie do analista de educação da Diretoria de Juventude da SEE, Tiago Vieira, com representantes da Escola Estadual Helena Guerra, em Contagem, no ano passado. Foto: Tiago Vieira (SEE/MG)

A selfie do analista de educação da Diretoria de Juventude da SEE, Tiago Vieira, com representantes da Escola Estadual Helena Guerra, em Contagem, no ano passado. Foto: Tiago Vieira (SEE/MG)